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Revista Científica de Novos artigos publicados. |
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| Valorização Feminina e Profissional |
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Leida Moraes - mar-2005 “QUEM SENTA SOBRE OS LOUROS DA VITÓRIA PÕE SUA GLÓRIA NA EXTREMIDADE ERRADA”. Falar das transformações do papel da mulher e do mercado de trabalho, por si só já dariam um artigo. Porém a valorização da mulher, para algumas mulheres, não acompanhou a valorização profissional, pelo menos para certas secretárias. Vejamos por quê? Basta você abrir a porta ou o portão de sua casa, entre 6 e 7 horas da manhã e observar o movimento, isso se você próprio já não está na rua a caminho de sua oportunidade, de seu espaço neste mundo. Uma amiga minha, Presidente da Associação Marselhesa de Secretárias, foi convidada para participar de um congresso de secretárias no Gabão e me mandou um “report” sobre seu trabalho, onde iniciava dizendo “não há boas ou más secretárias, há aquelas que querem vencer e aquelas que se contentam em ver passar os acontecimentos sem reagir”. Talvez ela nem tenha sido a primeira a pensar e dizer essa frase. Tampouco a frase se aplica apenas aos profissionais de secretariado, longe disso, se aplica a todos os seres humanos, de qualquer faixa de renda, ou país, se quiséssemos dividi-los simploriamente em duas categorias. Claro que sabemos que o ser humano é, instintivamente, resistente a mudanças e que mentalidade muda em longo prazo. Já dizia José Ângelo Gaiarça “sua primeira reação é a da sua mãe. Respire fundo, reflita e ai sim reaja, essa segunda reação será a sua”. Mas, para os estudos que tenho feito, ao longo de 21 anos de trabalho junto às profissionais de secretariado e pela experiência prática diária em contato com as profissionais, percebo claramente que minha amiga, de tão longe, resumiu um fato que me preocupa há anos, antecessor até ao meu envolvimento com a vida associativa e sindical dos profissionais de secretariado. O que me preocupa é que nosso País, eterno 3º mundo, possui, mesmo que em quantidade reduzida, empresas de grande porte e nos últimos anos a concorrência estrangeira aumentou significativamente com a compra de diversas empresas por grupos canadenses, americanos, italianos, espanhóis, japoneses, chineses, coreanos, mexicanos e outros e as profissionais que atuam nos altos escalões dessas organizações são as mais alienadas quanto aos seus direitos e deveres com a profissão que exercem – muitas vezes há anos – e que lhes dá o pão e uma vida bastante razoável, num Brasil tão desigual. A mim parece e desejaria muito estar enganada, que são mulheres, mas não se importam muito em ser profissionais, que fazem parte de uma profissão regulamentada, organizada em todo o País em sindicatos, com uma Federação Nacional que possui trabalhos conhecidos em todo o mundo. E olha que essa luta tem mais de 20 anos.... Essa organização, atuante que é, possui trabalhos aprovados pelo Ministério da Educação na área de formação, longa experiência nos trâmites dos diversos assuntos da profissão junto ao Congresso Nacional, Ministérios e Setor empresarial em geral e defende os direitos dos profissionais ininterruptamente. No entanto, algumas profissionais consideradas top de carreira, com as benesses da comodidade brasileira em buscar o jeito mais fácil de resolver as coisas, deixaram a profissão, que exercem diariamente, há anos, relegada a um plano secundário. Claro que eu não estou falando aqui de qualificação, apenas, o que chamo de profissão, é o que o mercado hoje exige: um profissional consciente de sua responsabilidade consigo mesmo, enquanto indivíduo, com sua profissão, com a empresa onde atua, com seu papel profissional. Mas não apenas qualificado. O bom para o mercado hoje é o bom em tudo, e não em uma ou duas qualificações. Então aproveito para fazer uma analogia com a mulher que é mãe, por exemplo, mas não se importasse com seu lar ou com os filhos, ou ainda com o marido..... Com a mulher que é namorada, mas não se importasse com o namorado... Com a mulher que é irmã, mas não se importasse com seus irmãos ou com sua família. Pois é, o ser humano tem necessidade de pertencer a um grupo, desde os primórdios da humanidade. Essas secretárias esqueceram o que são. Lembram apenas das responsabilidades enquanto indivíduo, delegando a terceiros a responsabilidade da profissão que escolheram exercer. O resultado disso é que vivem numa redoma, porque se sentem prestigiadas enquanto secretárias de presidentes e diretores, mas desvalorizadas enquanto profissionais, desconhecem o que mudou e continua mudando no mercado de trabalho e toda a evolução da qualificação e imagem da profissão. Ora, se você é qualificada, consciente, como dito acima, seja ética pelo menos consigo mesma, já que não foi possível ser com sua profissão. Procure outro trabalho! Ou então, continue sentada sobre os louros, sem conhecer tudo de bom que sua profissão conquistou com a evolução do papel da mulher e a evolução ainda maior do profissional de secretariado, pois até o Jornal Inglês “The Guardian” já noticiou que somos os melhores preparados no mundo! Continue ignorando as leis que regem o que você é e o que você faz todos os dias, por no mínimo 10 horas! Fique a mercê de informações equivocadas, fortaleça o sindicato da empresa, ao invés do seu! Continue achando que você é desvalorizada, esquecida, menosprezada. Nós continuaremos lutando por você, para você que não mudou, porque resolveu ficar sentada e também pelos profissionais secretários que querem vencer, que continuam se atualizando, que são éticos, pois não falam mal do que escolheram ser, nem da empresa que lhes paga o salários, antes de tudo buscam soluções, contribuindo assim para dignificar cada vez mais nossa profissão. E se você ainda hoje acredita que seu sindicato não serve, não trabalha, venha conosco melhorar o que acha que está ruim, no sindicato, na profissão, na qualificação profissional, na legislação da profissão, na orientação pessoal e profissional, nos cursos de formação, desenvolvimento e atualização e nos demais trabalhos que desenvolvemos em todo o País e no exterior. Vamos aproveitar nosso tempo de forma mais produtiva, em benefício da profissão e da organização que a defende e protege, caso isso ainda não sirva para você, aproveite as discussões para trabalho voluntário, tem muito brasileiro precisando, sabia? Você pode pensar ainda, mas eu sou mãe, tenho marido, filhos, casa para cuidar, o Executivo ou Executivos que assessoro, como vou dar conta disso tudo. Ainda há o trânsito, os horários todos, fazer cursos! Ufa! Pois é, hoje é assim. Quem escolheu vencer faz tudo isso e mais, cuida da profissão que escolheu para sua vida! E nessa escolha está sua organização de classe, a família a qual você pertence profissionalmente! Valorize ser mulher e valorize ser profissional! Leida Maria Mordenti Borba Leite de Moraes Mini currículo Presidente: - ASESP – Associação das Secretárias do Estado de SP – 1984 a 1987
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