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| Secretárias: discrição e responsabilidade no currículo |
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25 de Setembro de 2005 Ângela Corrêa - Do Diário do Grande ABC Piadinhas não, por favor: ‘Às vezes, parecemos mágicas’ Embora os mais desinformados custem a acreditar, secretária, cuja data é comemorada na próxima sexta-feira, 30, não é enfeite de ante-sala dos executivos. Cada vez mais qualificadas e incentivadas a abandonar as funções meramente operacionais, as profissionais, que somam hoje 2 milhões no Brasil, ganham espaço privilegiado nas grandes empresas, graças ao papel importante que desempenham, que vai além de mediar o relacionamento do chefe com os demais departamentos e com o público externo. Elas ficam responsáveis por organizar eventos, redigir textos e até mesmo responder pelo executivo em sua ausência. "Pode ser a funcionária número 2 de um departamento", afirma o coordenador do curso de Secretariado Executivo Bilíngüe da UniA, Vanderlei Postigo. É por ter acesso a tudo isso que uma das características mais importantes da secretária é a discrição. Nos últimos meses, porém, o papel da profissão voltou a ser discutido após a participação pouco discreta de Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza no escândalo do mensalão (veja matéria ao lado). Além da postura discreta, coisa que não mudou nada em relação às primeiras profissionais, a secretária executiva contemporânea tem de reunir características extremamente diversas. "Hoje, são multifuncionais, contribuindo significativamente para uma performance eficaz do executivo. Criatividade, iniciativa própria, fluência em vários idiomas, ser comunicadora hábil e conhecedora de informática avançada, além do domínio no arquivo físico e eletrônico, são alguns dos requisitos básicos exigidos pelo mercado altamente concorrido", enumera a coordenadora do curso de Secretariado Executivo Bilíngüe da Universidade Metodista de São Paulo, Ana Maria Santana Martins. A recompensa não costuma ser pouca: uma profissional de experiência pode ganhar até R$ 5 mil, enquanto que a bolsa de uma estagiária em uma grande empresa pode chegar a R$ 1,5 mil. No entanto, é no dia-a-dia da empresa que a secretária vai mostrar o quanto é capacitada. "A secretária tem de entender a equipe, entender quais são os objetivos da empresa e como ela pode ajudar. Por isso, ela tem de ter visão do negócio, da área da qual ela faz parte. No departamento de contabilidade, por exemplo, não vai importar se ela entende desse assunto mas sim se ela sabe quais são os concorrentes", explica o gerente de Seleção e Treinamento da Mercedes-Benz, Marcelo Simoni. Para a questão comportamental, valem muitas das velhas regras. "É fundamental que ela saiba criar e manter o ambiente e clima saudáveis, com muito profissionalismo. Isso implica lembrar-se sempre de algumas palavrinhas mágicas como bom-dia, boa-tarde, muito obrigada, por favor, desculpe-me", afirma a coordenadora do curso Secretário Executivo Bilíngüe da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Marilena Zanon. Vestuário pouco exuberante também é importante. "A linguagem corporal, incluindo a indumentária, precisa transmitir a seguinte mensagem: ‘Estou aqui para trabalhar’", completa Marilena. Já o controle de atividades pessoais do chefe, como agenda e conta bancária particulares, começam a ficar raras entre as tarefas da secretária, porém a designação fica a cargo do líder. "Cada chefia define suas expectativas, competindo à secretária dizer se lhe convém ou não. Muitas profissionais, além das tarefas secretariais, administram compromissos sociais e pessoais de sua chefia. A tendência é que isso diminua pois a profissão cresceu, ganhou força e tem sido defendida e valorizada pelos sindicatos de classe", diz a professora Ana Maria. Já Marilena acredita que as normas e procedimentos de uma empresa organizada não permitem que tais incumbências caiam nas mãos da secretária. "Se o estilo do chefe for o de delegar tais tarefas, não há dúvida de que ela as executará, sob pena de pôr em risco o seu emprego", diz. Ângela Corrêa Por conta da proximidade com que trabalha com o executivo, a secretária por vezes é obrigada a agüentar insinuações e piadinhas de colegas, além do preconceito típico da sociedade. Porém, desrespeito não deve ser simplesmente ignorado. “Antigamente, dentro do critério de avaliação na contratação, pesava a boa aparência. Hoje, a competência é que fala alto”, afirma a coordenadora do curso de Secretariado da Metodista, Ana Maria Santana Martins. Ela aconselha, baseada no capítulo II do artigo 4 do Código de Ética da Secretária, que a profissional denuncie às entidades da categoria qualquer ataque à integridade moral e social da profissão. Porém, a aproximação afetiva é problema real, mas que não é só de responsabilidade da profissional, diz Marilena Zanon, da PUC-SP. “Onde convivem homens e mulheres e se adiciona o poder como ingrediente, torna-se ainda muito mais difícil de se controlar esse risco. Para lidar com situações dessa natureza, o profissional precisa conhecer e praticar algumas regras básicas: se estiver passando por fragilidade afetiva, por exemplo, evite expô-la. Se se tratar de dificuldade financeira, a diretriz está na busca de soluções profissionais”, aconselha. ‘Às vezes, parecemos mágicas’ “Desde pequena eu me identifico com a parte de escrever, gostava de arquivos e brincava com carimbos. Por isso quis ser secretária. Comecei como estagiária em 1979 na Mercedes-Benz, depois de fazer o curso técnico de Secretariado Bilíngüe no Instituto Benjamin Constant. Naquele ano não fui efetivada e trabalhei em outra empresa por seis anos, mas voltei para cá há 18. Minha rotina é a seguinte: trabalho para dois gerentes e dou suporte para representantes de vendas externas em tudo que eles estiverem precisando fora daqui. Além disso, ajudo a coordenar eventos e dou apoio em reuniões. A secretária tem de ter bom relacionamento, porque a todo momento você tem de se informar sobre coisas novas ou ainda ampliar seus conhecimentos, o que facilita demais o trabalho. Na área de vendas, tem de ser muito ágil, pois por quase cinco minutos pode-se perder um negócio. A gente não faz mágica, mas às vezes parecemos mágicas”. Ética em pauta Apesar de todo crescimento da secretária executiva, um exemplo repudiado pela classe fez com que questões éticas da profissão entrassem em pauta recentemente. Em junho, a ex-secretária do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, Fernanda Karina Somaggio, fez diversas denúncias a uma revista econômica contra o ex-chefe e suposto operador do esquema do mensalão, prestou depoimento na CPI dos Correios e depois posou para um ensaio despojado na revista de um jornal paulistano, provavelmente com a intenção de projetar-se numa futura carreira política. “Aparentemente, ela agiu com revanchismo, mas não se pode descartar a hipótese de ter havido a prática de assédio moral por parte do senhor Marcos Valério. Seja como for, a meu ver, ela feriu a ética profissional, pois não agiu de acordo com valores morais, de honestidade e integridade”, afirma a coordenadora do curso Secretário Executivo Bilíngüe da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Marilena Zanon. Nada impedia que Fernanda efetivamente fizesse a denúncia, porém de forma menos escandalosa, opina o coordenador do curso de Secretariado Executivo Bilíngüe da UniA, Vanderlei Postigo. “Cabe à secretária prestar depoimentos à Justiça. Ela tem o controle da informação da empresa. O que ela não deve fazer é utilizar um depoimento como projeção para outros interesses. A verdadeira secretária tem todo o respaldo da classe”. Diário do Grande ABC Copyright ©2005 Todos os direitos reservados
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