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Discurso de Posse - Diretoria PDF Imprimir E-mail

São Paulo, 29 de março de 2008.

Profissionais de Secretariado, Diretoria, Equipe, Parceiros,

Celebramos a Posse da Diretoria - gestão 2008 - 2012 - do SINSESP e também 20 anos de história da Entidade.

Se voltássemos a 1860, fase da Revolução Industrial, veríamos a invenção da máquina de escrever por Christopher Sholes e sua filha - Lilian Sholes - testando tal invento, tornando-se a primeira mulher a escrever numa máquina.

Se voltássemos a 1950, centenário do nascimento de Lílian Sholes, em 30 de setembro, estaríamos participando de concursos para escolher a melhor datilógrafa, pois muitas Secretárias se candidataram.

Já em 1985, veríamos a lei de regulamentação da profissão sendo assinada pelo Presidente José Sarney e por Almir Pazzianoto - Ministro do Trabalho.

Se, no ano de 1987, o nascimento do SINSESP, história esta construída por vários profissionais de secretariado que deram crédito aos anseios de um time de garra e valor decorrente das associações civis de secretariado e perceberam a importância da transição.

E, também, a forte e nobre liderança da Leida Moraes, que tornou o Profissional de Secretariado reconhecido no Brasil e no mundo.

Em julho de 1989, leríamos no Diário Oficial da União a publicação de nosso Código de Ética.

Chegando em 1996 a batalha e a conquista para mudar algumas “imperfeições na Lei assinada em 85”.

Em 2000, assume a presidência um homem, lembrando que a profissão começou com eles, os escribas. Francisco Tadeu, que com sua análise crítica negociou em sua gestão a diferenciação de pisos salariais para o nível médio e superior.

Se estivéssemos na Inglaterra, em 2001, leríamos a manchete do dia no Jornal The Guardian: Secretárias Brasileiras são as mais bem preparadas do mundo.

Chegamos agora em 2008, com um time novo, heterogêneo, dinâmico, maduro e consciente do papel de destaque que cabe ao Profissional de Secretariado, que toma posse hoje.

Se pudéssemos ver o tamanho da alma destas pessoas que assumem hoje: enxergaríamos gigantes que pensam no coletivo, que sonham, que são idealistas, que são sensíveis, determinadas.
Sobre nós dirigentes sindicais pesa tal grau de regras e responsabilidades que a escolha deixa de ser um privilégio, só concebível para aqueles que conseguem realmente compreender que exige perfeita identidade entre o bem comum e a satisfação pessoal.

Talvez pelo motivo que o SINSESP passe de sua adolescência para a fase adulta e deixe de lado suas identidades transitórias e tenha agora sua própria identidade, sua própria personalidade e assim comemoramos também os 20 anos deste Sindicato, com alegria despretenciosa, leve e vitalizante.

Dentro de nossas propostas, destacamos: evidenciar e elevar sempre o papel da profissão no mercado de trabalho, networking com outros países, objetivo este sempre em consonância com a Fenassec, incentivar o ingresso de estudantes nos cursos de secretariado, trabalhar pela criação do Conselho Federal de Secretariado e buscar sempre a melhor negociação com o setor patronal e com as empresas.

Acima de tudo e até pela defesa do nosso Conselho de Secretariado, tão urgente como importante, respeitar nosso Código de Ética Profissional e fazer da profissão um fim para a realização pessoal.

Se é para ser Feliz, que seja o tempo todo!

Falando em Ética, tão importante em todas as profissões e na profissão de secretariar onde “SEGREDO” é o próprio nome, o que importa não são os concílios, os seminários, os painéis que apenas mantêm o assunto no terreno da abstração total. Precisamos refletir sobre o que vivemos, o que vale não é apenas compreender nossas realidades, é como fazer melhor, ou seja, buscar na Ética a própria fonte da inovação.

O que conta é a felicidade, não porque Aristóteles a tenha definido como o próprio objeto da Ética, mas porque as pessoas felizes não mentem, não invejam, não roubam, não difamam, não agridem, não matam... Mas, amam e são amadas.

Aristóteles a entende também como uma aspiração do ser humano capaz de conciliar o interesse individual e o comunitário.

A atribuição do homem, para ele, seria o pensamento racional.

Só através da concretização desta "finalidade racional", o homem poderia atingir a felicidade da harmonia interior. Já que a finalidade da Ética não será mais o Bem por si mesmo, mas o Bem enquanto elemento que leva à Felicidade, objetivo principal do homem.

Ética é sabedoria, é conhecimento que ajuda a viver melhor.

Somos o que a linguagem nos permite ser. Temos que ouvir os anseios das Secretárias e Secretários para podermos entender os rumos da profissão.

A competência para escutar é a base ética das relações. Pois, permite abrir-se para o outro. Se escuto apenas o que sei, não estou escutando nada.

A escuta implica uma abertura para as diferenças alheias. E assim uma dimensão fortemente ética em todas as relações.

O futuro é incerto. As contingências podem nos levar por caminhos diferentes dos previstos. Por isso é necessário pensar no futuro avaliando cenários alternativos possíveis.

Ter visão de futuro significa traçar caminhos que estão em permanente modificação e cuja trajetória nem sempre nos leva onde queremos chegar.

Quando estudamos nossas estratégias minuciosamente, conseguimos corrigir a direção, seguir adiante e mudar a rota caso seja necessário.

O desafio urgente é se atrever a colocar em questão uma tradição que caracterizou o Ocidente e cujos pilares estão intimamente ligados à noção de verdade. A verdade me confere direitos, define o que eu posso e devo fazer. Isso configura uma ética.

De tanto ouvir triunfar o discurso “Eu tenho direito”, como se estes direitos fossem obrigatórios e requeressem atendimento imediato, acabamos numa certa confusão entre: eu quero, eu posso, eu tenho direito. Querer nem sempre é poder.

Posso querer não só o que é de meu direito como também o que não é.
Por outro lado, nem sempre tenho que querer tudo o que tenho direito. Distinguir entre querer, poder, ter direito e dever é condição necessária para o correto exercício da cidadania.

Importante enfatizar que a base da ética na qual acreditamos é: o respeito, o amor ao próximo, a legitimidade no outro e a relação pautada na confiança e não no medo.... tudo isto para ter uma vida com um sentido maior.

Assim, construímos esta História: de pessoas que passaram, de pessoas que foram e voltaram, de pessoas que chegaram, de outras que vieram para ficar e continuar contribuindo para a melhor imagem da profissão.

Tudo isto para ter uma profissão melhor e maior.

 

Isabel Cristina Baptista
Presidente - gestão 2008 - 2012

 

Fonte:
Site Fenassec
O que é de direito - Anna Ceronica Mautnar
Reflexão - Diálogo e Ética nas Organizações - Rafael Echeverría
 
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